O ofertório: quando entregamos a Deus a nossa vida
Muitas pessoas enxergam o ofertório da Missa como um simples momento de preparar o altar. No entanto, a Igreja vive ali um gesto profundamente espiritual; por isso, vale a pena compreendê-lo com mais atenção.
Nesse momento, a Igreja apresenta a Deus não apenas o pão e o vinho, mas também a vida dos fiéis. Cada um leva ao altar a própria história para uni-la à oferta de Cristo.
Quando você entende isso, você participa do ofertório com mais consciência. Deus acolhe o que você coloca diante d’Ele com sinceridade e transforma sua presença na Missa.
Introdução: a entrega que prepara o coração para a consagração
O ofertório integra uma das etapas mais importantes da Liturgia Eucarística. Muitos fiéis o veem apenas como o instante em que levam pão e vinho ao altar; contudo, a Igreja reconhece ali uma realidade espiritual muito mais profunda.
Além disso, a tradição sempre ligou a apresentação das oferendas à entrega interior de cada pessoa. Deus não busca somente dons materiais: Ele quer o coração. Assim, quando você oferece sua vida, você coloca espiritualmente sobre o altar suas intenções, suas lutas e sua gratidão.
A Instrução Geral do Missal Romano ensina que os fiéis participam trazendo pão e vinho, frutos da terra e do trabalho humano, para a consagração. Entretanto, essa participação não termina no gesto externo. Pelo contrário: interiormente, você é chamado a unir sua vida à oferta que Cristo apresenta ao Pai.
Portanto, o ofertório prepara a comunidade para a consagração e para a comunhão, porque a entrega interior sustenta uma participação plena na Missa.
Assim, o ofertório convida você a colocar no altar sofrimentos, expectativas, lutas, alegrias, quedas e recomeços. Você entrega a vida inteira. E você só vive esse gesto com verdade quando reconhece, de fato, o que acontece ali.
Além disso, a Bíblia mostra que Deus sempre pediu ao seu povo um coração aberto. Por isso, a Igreja vive o ofertório como expressão de conversão e entrega: ela apresenta ao Pai o desejo de voltar para Ele.
O sentido bíblico do ofertório
Ao longo da história da salvação, o povo de Deus ofereceu sacrifícios como sinais de obediência, gratidão e aliança. No Antigo Testamento, o povo reconhecia Deus como Senhor de tudo quando apresentava dons.
Eles ofereciam primícias da colheita, cordeiros, azeite e vinho para confessar: “Tudo vem de Deus e a Ele retorna”. Depois, Cristo levou esse sentido à plenitude: Ele ofereceu a si mesmo ao Pai de modo perfeito.
No Novo Testamento, Jesus se entrega como sacrifício vivo, santo e agradável ao Pai; por isso, toda oferta cristã precisa unir-se à oferta de Cristo. A Carta aos Hebreus mostra que Cristo realizou um sacrifício perfeito e definitivo. Assim, toda a liturgia participa desse único sacrifício pascal.
Desse modo, quando você apresenta suas ofertas, você une sua entrega pessoal à entrega de Cristo. Deus acolhe sua oferta porque Cristo a eleva ao Pai.
Por isso, a Igreja atribui ao ofertório um valor espiritual profundo. O pão e o vinho não permanecem simples símbolos: na consagração, Cristo os transforma. No entanto, esse gesto pede um coração disponível. Assim, você entrega a própria vida junto com as oferendas.
Nesse sentido, a Igreja entende que tudo o que você é e tudo o que você vive sobe ao altar. A comunidade expressa ali o desejo de conversão e reconhece que tudo provém de Deus.

O significado litúrgico do ofertório
Durante o ofertório, a liturgia usa gestos que expressam a profundidade do momento. O sacerdote recebe o pão e o vinho, coloca-os sobre o altar e proclama fórmulas de bênção que retomam a tradição bíblica. Ele faz isso com calma e reverência para indicar: “algo sagrado acontece aqui”.
Em seguida, ele prepara o altar com o corporal, o purificatório e o cálice, porque ali Cristo tornará presente sacramentalmente o seu sacrifício.
O Missal Romano ensina que o altar representa Cristo. Por isso, quando você coloca algo sobre o altar, você o confia simbolicamente às mãos do próprio Senhor. Depois, Cristo consagra o pão e o vinho e os faz tornar-se seu Corpo e seu Sangue.
Além disso, os fiéis participam ativamente, mesmo quando a assembleia mantém silêncio exterior. Você acompanha o ofertório com oração interior, e esse movimento interior dá sentido ao gesto litúrgico.
Em muitas comunidades, a procissão das oferendas reforça essa participação. Ainda que a celebração não faça procissão visível, a Igreja conserva o mesmo sentido: você apresenta sua vida a Deus e se reconhece parte dessa única oferta.
O significado espiritual da entrega
O ofertório toca diretamente o coração dos fiéis. Quando a Igreja oferece pão e vinho, ela convida cada pessoa a oferecer ao Pai a própria vida. Você realiza essa entrega quando coloca diante de Deus suas intenções, dores, esperanças, pedidos e agradecimentos.
Esse gesto esclarece um ponto essencial: você não “assiste” à Missa como espectador. Você participa oferecendo-se.
Além disso, você une essa entrega ao sacrifício de Cristo, porque a Missa torna presente o mistério pascal. Quando você entrega a vida a Deus, você a coloca no altar; então Cristo a apresenta ao Pai com perfeição.
Portanto, o ofertório chama os fiéis a tomar parte real no sacrifício de Cristo. A Missa não se reduz a um símbolo: ela torna presente sacramentalmente a entrega do Senhor.
Por essa razão, use o ofertório para apresentar gratidões, pedidos, sofrimentos, pecados já confessados, dificuldades e necessidades. Coloque tudo no altar com simplicidade, porque Deus acolhe a verdade do coração.
E aqui surge um aprendizado decisivo: quando a consagração transforma as oferendas, ela também anuncia que Deus quer transformar sua vida. Você entrega; Deus purifica; Deus eleva; Deus santifica.

A transformação da oferta
Na consagração, Cristo transforma o pão e o vinho em seu Corpo e em seu Sangue. A Igreja chama essa realidade de transubstanciação e a ensina com firmeza.
Ao mesmo tempo, a graça opera uma transformação interior em quem se oferece com sinceridade. Você não recebe uma “transformação sacramental” igual à do pão e do vinho; porém, você recebe um efeito real da graça que muda o coração, orienta decisões e fortalece a fidelidade.
Quando você entrega sua vida, você não perde o que oferece. Pelo contrário: Cristo acolhe e eleva essa oferta, e a graça gera frutos.
Mesmo que você considere pequena a sua entrega, Deus acolhe tudo o que você oferece com humildade. Assim, a liturgia educa você: Deus transforma aquilo que você coloca nas mãos d’Ele.
Como viver o ofertório de forma plena
Alguns passos simples ajudam você a viver bem o ofertório.
1) Chegue com antecedência e organize o coração.
Faça alguns minutos de oração antes da Missa. Assim, você identifica o que deseja oferecer e entra no mistério com atenção.
2) No ofertório, apresente sua vida ao Pai com palavras simples.
Você pode dizer interiormente: “Senhor, eu Te entrego minha semana, minha família, minhas decisões e minhas dores”. Deus acolhe a sinceridade, não a eloquência.
3) Ofereça também ações de graças.
Não leve ao altar apenas pedidos. Leve gratidão, perdão concedido, perdão pedido, decisões necessárias, trabalho, cansaço e recomeços.
4) Una tudo a Cristo.
Diga com o coração: “Jesus, eu uno a minha vida à Tua oferta ao Pai”. Assim, você participa do centro da Missa.
Como o ofertório nos prepara para a consagração
A consagração é o ápice da Missa. Por isso, o ofertório prepara o coração para acolher o mistério da Presença Real.
Quando você oferece a própria vida, você se coloca diante de Deus com humildade. E, ao fazer isso, você abre espaço para a graça agir com mais liberdade.
Além disso, o ofertório ajuda você a compreender algo muito concreto: você não caminha para a comunhão sem antes entregar a Deus aquilo que você é. Portanto, o ofertório conduz a uma vivência mais profunda da Eucaristia.
Conclusão: tudo pertence a Deus e a Deus retorna
A Igreja vive o ofertório para apresentar a Deus aquilo que recebeu d’Ele. Esse gesto proclama uma verdade espiritual: tudo pertence a Deus e a Ele retorna.
Quando você coloca sua vida no altar, você reconhece Deus como Senhor de tudo. E, ao mesmo tempo, você responde ao amor que recebeu: você oferece o coração.
Assim, o ofertório deixa de ser “uma parte da Missa” e se torna um convite concreto à entrega total. Quanto mais você entende esse momento, mais você se aproxima da entrega perfeita de Cristo.
Se o ofertório é o tempo de entregar a vida a Deus, então o próximo passo é permitir que Ele transforme tudo o que você é. Leia o artigo completo e aprofunde sua vivência da Eucaristia, deixando Cristo renovar sua vida em cada Missa.













