Antigo e Novo Testamento: uma só história de salvação

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Antigo e Novo Testamento: uma só história de salvação

Antigo e Novo Testamento: como descobrir a unidade da Palavra de Deus

Você já começou a ler a Bíblia pelo Gênesis, encontrou histórias de guerras, leis antigas e personagens difíceis de compreender e se perguntou como tudo aquilo se relaciona com Jesus? Essa dúvida é bastante comum. Para compreender o Antigo e Novo Testamento, precisamos descobrir que a Bíblia não reúne simplesmente dois conjuntos de livros, mas apresenta uma única história de salvação, na qual Deus prepara, revela e realiza seu plano de amor pela humanidade.

Muitos cristãos conhecem os Evangelhos, acompanham as leituras da Missa e guardam com carinho os ensinamentos de Jesus. Entretanto, quando encontram determinados acontecimentos do Antigo Testamento, sentem dificuldade para perceber a ligação entre essas passagens e a fé que professam.

Alguns chegam a imaginar que o Deus apresentado nos livros antigos seria diferente daquele que Jesus revela. Outros acreditam que o Antigo Testamento perdeu sua importância depois da vinda de Cristo.

A Igreja Católica, porém, ensina algo muito diferente.

Toda a Sagrada Escritura pertence ao mesmo plano divino de salvação, e Jesus Cristo é a chave fundamental para compreender sua unidade.

Isso não significa que todos os textos bíblicos sejam iguais ou que possamos ignorar as diferenças entre épocas, gêneros literários e contextos históricos.

Significa reconhecer que Deus conduziu a história da salvação progressivamente, preparando seu povo para a plenitude da revelação em seu Filho.

Quando compreendemos essa verdade, nossa maneira de ler a Bíblia começa a mudar. Passamos a perceber relações entre promessas e realizações, figuras e acontecimentos, alianças e seu cumprimento em Cristo.

Consequentemente, a leitura bíblica deixa de parecer uma coleção de episódios separados e se torna um encontro cada vez mais consciente com a história do amor de Deus.

Neste artigo, você vai entender

  • Por que a Bíblia possui Antigo e Novo Testamento.
  • Como Deus revela progressivamente seu plano de salvação.
  • Por que Jesus Cristo é o centro das Escrituras.
  • Como a Igreja Católica interpreta a unidade dos dois Testamentos.
  • Quais cuidados ajudam a evitar interpretações equivocadas.
  • Como reconhecer essa unidade na Missa e na leitura bíblica em família.

1. Uma Bíblia, dois Testamentos e uma única história

Antes de tudo, precisamos compreender o significado da palavra Testamento.

Na linguagem bíblica, ela se relaciona à ideia de aliança. Deus estabelece uma relação com a humanidade e manifesta seu desejo de conduzir as pessoas à comunhão com Ele.

Por isso, os nomes Antigo Testamento e Novo Testamento indicam duas grandes etapas da história da salvação, profundamente relacionadas entre si.

O Antigo Testamento apresenta a criação, a história de Israel, as alianças, a Lei, os profetas, a sabedoria e a esperança na intervenção salvadora de Deus.

Já o Novo Testamento anuncia Jesus Cristo, sua vida, seus ensinamentos, sua morte e Ressurreição. Também apresenta o nascimento e a missão da Igreja, além da esperança na consumação definitiva do Reino de Deus.

Embora possuam características próprias, os dois Testamentos não competem entre si.

O Antigo prepara a vinda de Cristo. O Novo revela a plenitude da salvação realizada por Ele.

Por que a Bíblia não começa diretamente com Jesus?

Essa pergunta ajuda a perceber algo fundamental.

Se Deus desejava salvar a humanidade por meio de seu Filho, por que não começou imediatamente pelos Evangelhos?

Porque a revelação divina aconteceu dentro da história humana.

Deus se comunicou com pessoas concretas, em culturas e situações específicas. Assim, preparou progressivamente seu povo para compreender sua ação salvadora.

A história de Abraão, a libertação do Egito, a aliança no Sinai e a pregação dos profetas fazem parte dessa preparação.

Sem conhecer essas etapas, muitos acontecimentos do Novo Testamento perdem parte de sua profundidade.

Por exemplo, compreender a Páscoa judaica ajuda o cristão a perceber melhor o significado da morte e Ressurreição de Jesus.

Da mesma forma, conhecer as promessas feitas a Israel ilumina a missão de Cristo como Messias.

Portanto, o Antigo Testamento não funciona apenas como uma introdução histórica. Ele faz parte da Palavra de Deus que a Igreja continua acolhendo e proclamando.

2. Como Deus preparou a humanidade para receber seu Filho

A história bíblica revela um Deus que toma a iniciativa de aproximar-se da humanidade.

Depois do relato da criação e da entrada do pecado na história humana, a Escritura apresenta uma sucessão de acontecimentos nos quais Deus manifesta sua fidelidade.

Mesmo diante das infidelidades humanas, o Senhor continua conduzindo seu plano de salvação.

Abraão e a promessa de bênção

Em Gênesis 12,1-3, Deus chama Abrão e lhe faz uma promessa que alcança uma dimensão universal.

A história começa com uma pessoa e sua família. Entretanto, a promessa divina aponta para uma bênção destinada a todos os povos.

Essa perspectiva ajuda a compreender por que a salvação realizada em Jesus Cristo não se limita a uma única nação.

No Novo Testamento, São Paulo retoma a promessa feita a Abraão e a relaciona com Cristo, especialmente em Gálatas 3.

Assim, percebemos uma ligação entre o início da história do povo da aliança e a missão universal do Salvador.

Moisés e a libertação do Egito

O livro do Êxodo apresenta Deus libertando seu povo da escravidão.

Esse acontecimento ocupa um lugar central na memória religiosa de Israel.

A libertação do Egito revela a fidelidade divina e prepara a compreensão de uma libertação ainda mais profunda.

No Novo Testamento, Jesus realiza a obra da redenção, libertando a humanidade do domínio do pecado e da morte.

Contudo, precisamos evitar uma comparação simplista.

A libertação histórica de Israel possui significado próprio. Ao mesmo tempo, dentro da leitura cristã das Escrituras, ela também prepara a compreensão da obra salvadora de Cristo.

Os profetas e a esperança de uma nova aliança

Ao longo da história de Israel, os profetas recordam a fidelidade de Deus e denunciam a injustiça, a idolatria e o abandono da aliança.

Além disso, anunciam a esperança de uma renovação profunda.

Em Jeremias 31,31-34, encontramos a promessa de uma nova aliança.

Essa passagem adquire significado especial para os cristãos quando contemplamos Jesus na Última Ceia.

Em Lucas 22,20, Cristo relaciona seu sangue à nova aliança.

Desse modo, a promessa profética e a ação de Jesus aparecem profundamente conectadas.

Não se trata de afirmar que todos os textos antigos falam explicitamente de Jesus da mesma maneira.

A leitura cristã reconhece, porém, que o plano de Deus alcança sua plenitude na pessoa e na obra de Cristo.

3. Jesus Cristo é a chave para compreender o Antigo e Novo Testamento

Se desejamos encontrar o centro da unidade bíblica, precisamos olhar para Jesus.

O próprio Novo Testamento apresenta Cristo explicando as Escrituras à luz de sua missão.

Uma das passagens mais significativas aparece no Evangelho de Lucas.

O encontro no caminho de Emaús

Em Lucas 24,13-35, dois discípulos caminham para Emaús depois da morte de Jesus.

Eles estão desanimados porque ainda não compreenderam plenamente o significado dos acontecimentos de Jerusalém.

Então, o Ressuscitado se aproxima e começa a caminhar com eles.

Durante a conversa, Jesus explica aquilo que as Escrituras anunciam a respeito do Messias.

Lucas 24,27 relata que Ele começa por Moisés e percorre os profetas para iluminar sua missão.

Esse episódio revela uma verdade decisiva:

A morte e a Ressurreição de Jesus não podem ser compreendidas como acontecimentos isolados da história da salvação.

Elas pertencem ao plano de Deus anunciado e preparado ao longo das Escrituras.

Mais tarde, os discípulos reconhecem Jesus ao partir do pão.

O episódio une, portanto, a compreensão da Palavra e o encontro com o Senhor Ressuscitado.

Para a vida cristã, essa passagem oferece uma orientação preciosa.

Quando encontramos textos difíceis, precisamos aprender a lê-los à luz de Cristo, sem abandonar seu contexto e seu significado próprio.

Jesus não veio apagar as Escrituras anteriores

No Sermão da Montanha, Jesus afirma que não veio abolir a Lei ou os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento (Mateus 5,17).

Essa afirmação impede uma interpretação equivocada bastante comum.

O Novo Testamento não apresenta Jesus simplesmente descartando tudo aquilo que Deus havia revelado anteriormente.

Cristo leva à plenitude o plano de salvação.

Por isso, seus ensinamentos aprofundam a compreensão da vontade divina e revelam a plenitude do amor de Deus.

Quando Jesus ensina sobre o perdão, a misericórdia, a justiça e o amor aos inimigos, não está apresentando um Deus diferente.

Ele manifesta plenamente o rosto do Pai.

Em João 14,9, Jesus ensina que conhecer verdadeiramente sua pessoa significa encontrar a revelação do Pai.

Assim, a unidade entre os Testamentos nasce da unidade do próprio Deus e de seu plano salvador.

Antigo e Novo Testamento: uma só história de salvação

4. O Antigo e Novo Testamento à luz do Catecismo da Igreja Católica

A Igreja não deixa cada cristão sozinho diante de uma questão tão importante.

O Catecismo da Igreja Católica oferece orientações fundamentais para compreender a relação entre os Testamentos.

Nos parágrafos 121 a 123, ensina que o Antigo Testamento constitui parte indispensável da Sagrada Escritura.

Seus livros possuem valor permanente e testemunham uma verdadeira pedagogia divina.

Isso significa que Deus preparou progressivamente a humanidade para acolher a salvação.

Já os parágrafos 124 a 127 apresentam a importância singular do Novo Testamento e dos Evangelhos, nos quais encontramos o testemunho fundamental sobre a vida e os ensinamentos de Jesus.

A unidade dos dois Testamentos

O Catecismo dedica os parágrafos 128 a 130 à unidade entre o Antigo e o Novo Testamento.

A Igreja reconhece uma relação profunda entre os acontecimentos, as figuras e as promessas da antiga aliança e sua realização em Cristo.

Essa maneira de compreender as Escrituras inclui aquilo que a tradição cristã chama de tipologia.

Em termos simples, a tipologia identifica acontecimentos, pessoas ou instituições do Antigo Testamento que, dentro do plano divino, prefiguram realidades plenamente manifestadas em Cristo.

Entretanto, isso não elimina o significado próprio dos acontecimentos antigos.

Por exemplo, a travessia do Mar Vermelho pertence à história da libertação de Israel. Na tradição cristã, ela também aparece como figura da salvação e do Batismo.

O Catecismo, no parágrafo 122, recorda a importância dos livros do Antigo Testamento para a formação cristã.

Portanto, a leitura católica não coloca uma parte da Bíblia contra a outra.

Ao contrário, procura compreender a unidade da revelação respeitando o desenvolvimento da história da salvação.

A Escritura precisa ser lida dentro da fé da Igreja

A constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, especialmente nos números 12 a 16, oferece orientações essenciais para a interpretação bíblica.

Ela recorda a importância de considerar a intenção dos autores humanos, os gêneros literários e as circunstâncias históricas.

Ao mesmo tempo, ensina que a Escritura deve ser lida levando em conta a unidade de toda a Bíblia, a Tradição viva da Igreja e a coerência das verdades da fé.

Consequentemente, não basta retirar uma frase de seu contexto e atribuir-lhe qualquer significado.

A interpretação católica exige atenção ao texto, à história e à fé da Igreja.

Isso é especialmente necessário quando buscamos compreender passagens difíceis do Antigo Testamento.

5. Cinco ligações bíblicas que revelam uma única história de salvação

Uma forma muito útil de perceber a unidade entre os Testamentos é observar algumas relações concretas.

Elas não substituem o estudo aprofundado das passagens. Entretanto, ajudam o leitor a reconhecer como diferentes livros participam do mesmo plano divino.

A criação e a nova criação em Cristo

O livro do Gênesis apresenta Deus como Criador de todas as coisas.

O Novo Testamento retoma essa verdade e aprofunda nossa compreensão da relação entre a criação e Jesus Cristo.

Em João 1,1-3, o evangelista apresenta o Verbo eterno e afirma que todas as coisas vieram à existência por meio dele.

Já em 2 Coríntios 5,17, São Paulo relaciona a vida em Cristo à realidade da nova criação.

Dessa forma, a obra de Deus não aparece como uma sequência de iniciativas desconectadas.

O Criador é também aquele que realiza a redenção.

Adão e Jesus Cristo

Em Romanos 5,12-21, São Paulo estabelece uma comparação entre Adão e Cristo.

O apóstolo apresenta a entrada do pecado e da morte na história humana e a abundância da graça que vem por Jesus.

Essa comparação ajuda a compreender a dimensão universal da redenção.

Cristo não veio apenas oferecer bons ensinamentos morais.

Ele realizou a obra salvadora que a humanidade não poderia alcançar por suas próprias forças.

A Páscoa de Israel e a Páscoa de Cristo

O livro do Êxodo apresenta a celebração da Páscoa relacionada à libertação do povo de Israel.

No Novo Testamento, a morte e a Ressurreição de Jesus revelam a plenitude da Páscoa cristã.

Em 1 Coríntios 5,7, São Paulo apresenta Cristo como nossa Páscoa.

Essa ligação possui grande importância para compreender a Eucaristia e o mistério pascal.

Na Santa Missa, a Igreja celebra sacramentalmente o sacrifício de Cristo, sua morte e Ressurreição.

Portanto, conhecer o Êxodo enriquece nossa compreensão da celebração eucarística.

O maná e o Pão da Vida

Em Êxodo 16, Deus alimenta seu povo com o maná durante a caminhada pelo deserto.

No capítulo 6 do Evangelho de João, Jesus retoma esse acontecimento ao ensinar sobre o verdadeiro pão do céu.

Ele se apresenta como o Pão da Vida.

Essa relação ajuda a compreender que a Eucaristia não surge sem preparação dentro da história bíblica.

A experiência do alimento concedido por Deus no deserto ilumina, de maneira preparatória, o dom incomparável de Cristo.

Ao mesmo tempo, o discurso de Jesus revela uma realidade que ultrapassa o alimento material.

A promessa de Davi e o reinado de Cristo

Em 2 Samuel 7, encontramos a promessa divina relacionada à descendência e à casa de Davi.

No Novo Testamento, Jesus aparece ligado à linhagem davídica e à esperança messiânica.

Em Lucas 1,32-33, o anúncio do anjo Gabriel apresenta Jesus como aquele cujo reinado não terá fim.

Assim, a esperança real presente na história de Israel encontra uma realização singular em Cristo.

Seu Reino, porém, não se reduz a um domínio político semelhante aos reinos humanos.

Ele manifesta a soberania salvadora de Deus.

Essas cinco relações mostram por que o estudo conjunto dos Testamentos enriquece a formação bíblica.

Quanto mais reconhecemos essas conexões, melhor compreendemos a profundidade da mensagem cristã.

6. Passagens difíceis: cuidados para não separar aquilo que Deus uniu

Nem todas as páginas bíblicas são fáceis.

O Antigo Testamento apresenta guerras, castigos, normas rituais, conflitos familiares e acontecimentos que podem causar estranhamento.

Diante dessas passagens, alguns leitores concluem que a Bíblia contém ensinamentos incompatíveis entre si.

Outros procuram resolver rapidamente a dificuldade, ignorando o contexto.

Nenhuma dessas atitudes oferece uma leitura suficientemente cuidadosa.

Não confundir o que a Bíblia narra com aquilo que Deus aprova

A Escritura apresenta acontecimentos reais ou narrativas construídas em diferentes gêneros literários, incluindo ações humanas marcadas pelo pecado.

O fato de um comportamento aparecer na Bíblia não significa que Deus o esteja apresentando como exemplo a ser seguido.

Por isso, precisamos distinguir descrição e aprovação moral.

Os relatos sobre violência, injustiça e infidelidade exigem atenção ao propósito do texto.

Frequentemente, a própria narrativa mostra as consequências negativas das escolhas humanas.

Não aplicar diretamente todas as leis antigas à vida cristã

O Antigo Testamento contém normas ligadas à organização religiosa, social e ritual do povo de Israel.

A relação dessas prescrições com a nova aliança exige discernimento.

O Novo Testamento, especialmente em Atos 15 e nas cartas de São Paulo, apresenta o processo pelo qual a Igreja apostólica compreendeu a situação dos cristãos provenientes dos povos não judeus.

Dessa forma, não podemos tratar todas as prescrições antigas como obrigações idênticas para os cristãos.

Ao mesmo tempo, não devemos desprezar os ensinamentos morais e espirituais presentes na antiga aliança.

A interpretação deve considerar a plenitude da revelação em Cristo e a orientação da Igreja.

Não imaginar dois deuses diferentes

Outra confusão consiste em afirmar que o Antigo Testamento apresenta um Deus severo, enquanto o Novo revela um Deus amoroso.

Essa oposição não corresponde à fé católica.

No Antigo Testamento encontramos numerosas manifestações da misericórdia, da paciência e da fidelidade divina.

O Salmo 103, por exemplo, celebra a compaixão do Senhor.

Da mesma forma, o Novo Testamento apresenta tanto a misericórdia de Cristo quanto a seriedade do julgamento e da responsabilidade moral.

Portanto, não existe um Deus para cada Testamento.

O mesmo Deus revela progressivamente seu plano de salvação, cuja plenitude encontramos em Jesus Cristo.

7. A unidade da Bíblia também aparece na Santa Missa

Talvez você já tenha percebido que, em muitas celebrações, a primeira leitura e o Evangelho apresentam uma relação temática.

Isso não acontece por acaso.

A liturgia da Igreja ajuda os fiéis a reconhecerem a unidade da história da salvação.

A organização das leituras varia conforme o tempo litúrgico e o tipo de celebração. Nos domingos do Tempo Comum, por exemplo, frequentemente a primeira leitura possui uma relação direta com o Evangelho.

Essa ligação ajuda a compreender como os acontecimentos e ensinamentos do Antigo Testamento iluminam a missão de Cristo.

Além disso, o salmo responsorial permite que a assembleia reze com palavras da própria Escritura.

A segunda leitura dominical, normalmente retirada dos escritos apostólicos, contribui para a formação da comunidade cristã.

Uma atitude simples antes da Missa

Experimente ler antecipadamente as leituras do domingo.

Primeiro, observe o tema da primeira leitura. Depois, leia o Evangelho e procure perceber alguma relação entre os textos.

Não é necessário encontrar conexões artificiais.

Algumas relações aparecem claramente. Outras exigem estudo e orientação.

Durante a homilia, escute como o sacerdote apresenta a Palavra e sua aplicação à vida cristã.

Depois da celebração, converse com sua família sobre aquilo que mais chamou sua atenção.

Essa prática ajuda a perceber que a Bíblia não pertence apenas ao estudo individual.

Ela faz parte da oração e da vida comunitária da Igreja.

Antigo e Novo Testamento: uma só história de salvação

8. Um jeito simples de ler os dois Testamentos em família

Compreender a unidade da Bíblia não exige começar por um estudo acadêmico.

Uma família pode dar passos pequenos e constantes.

O mais importante é cultivar uma leitura respeitosa, perseverante e ligada à vida da Igreja.

Comece pelo Evangelho e procure suas raízes

Escolha uma passagem do Evangelho que apresente alguma referência ao Antigo Testamento.

Por exemplo, leia João 6, que apresenta o ensinamento de Jesus sobre o Pão da Vida.

Depois, procure Êxodo 16, onde aparece o relato do maná.

Converse sobre o que cada passagem ensina e sobre a relação entre elas.

Essa leitura comparada ajuda a perceber que a história da salvação possui continuidade.

Faça perguntas que ajudem a compreender

Durante a leitura, cada pessoa pode responder a perguntas simples:

  • O que acontece nesta passagem?
  • Quem são os personagens?
  • O que esse texto revela sobre Deus?
  • Como essa passagem se relaciona com Jesus Cristo?
  • O que ainda precisamos estudar para compreendê-la melhor?

As crianças podem participar conforme sua idade.

Os adolescentes, por sua vez, podem ajudar a localizar referências e comparar os textos.

Assim, a família aprende que fazer perguntas não significa duvidar da fé.

Pelo contrário, perguntas sinceras podem abrir espaço para uma formação mais sólida.

Utilize uma Bíblia católica e fontes confiáveis

Uma boa edição católica da Bíblia, com introduções e notas explicativas, pode ajudar bastante.

Além disso, o Catecismo da Igreja Católica oferece orientações seguras sobre a revelação divina.

Quando surgir uma dificuldade, procure também materiais de formação reconhecidos pela Igreja.

Evite construir interpretações apenas a partir de vídeos curtos, frases isoladas ou comentários sem referência confiável.

O acompanhamento de catequistas, sacerdotes e pessoas preparadas pode esclarecer dúvidas.

Reserve um momento semanal

Não é necessário transformar o estudo em uma obrigação pesada.

Uma família pode separar quinze ou vinte minutos por semana para ler duas passagens relacionadas.

Depois, cada participante compartilha uma descoberta ou uma pergunta.

Por fim, todos podem fazer uma oração breve, agradecendo a Deus pela sua Palavra.

Essa prática ajuda a desenvolver familiaridade com as Escrituras.

Com o tempo, os participantes começam a reconhecer personagens, acontecimentos e promessas que aparecem em diferentes livros.

Mais do que acumular informações, a família aprende a escutar a Palavra dentro da própria vida.

9. Quando os dois Testamentos começam a iluminar um ao outro

O crescimento na leitura bíblica nem sempre aparece em grandes descobertas.

Frequentemente, ele se manifesta em pequenas mudanças.

Uma pessoa que antes considerava o Antigo Testamento distante começa a reconhecer nele a preparação da vinda de Cristo.

Outra percebe que os Evangelhos fazem numerosas referências à história de Israel.

Alguém que acompanha a Santa Missa passa a prestar mais atenção à primeira leitura.

Uma família descobre que os salmos podem alimentar sua oração diária.

Esses acontecimentos simples mostram que a familiaridade com a Escritura está amadurecendo.

A leitura se torna mais atenta

Em vez de procurar somente frases que tragam consolo imediato, o cristão começa a observar o contexto.

Ele reconhece que Deus também ensina por meio de acontecimentos difíceis, advertências e histórias de conversão.

Consequentemente, aprende a respeitar a riqueza dos diferentes livros bíblicos.

Cristo ocupa o centro da compreensão

Aos poucos, o leitor percebe que a Bíblia não tem como finalidade principal apresentar uma coleção de conselhos para alcançar sucesso pessoal.

Seu centro é a revelação de Deus e de sua obra salvadora.

Para os cristãos, essa revelação alcança sua plenitude em Jesus Cristo.

Por isso, a leitura bíblica deve conduzir ao conhecimento e ao seguimento do Senhor.

A fé se torna mais consciente

Conhecer melhor as Escrituras ajuda a compreender a oração, os sacramentos e a doutrina católica.

A relação entre a Páscoa judaica e a Páscoa de Cristo, por exemplo, ilumina a celebração eucarística.

Da mesma forma, os salmos ajudam a Igreja a rezar com palavras inspiradas.

Assim, o estudo bíblico deixa de ser uma atividade separada da vida cristã.

Ele alimenta a participação na liturgia, a oração pessoal e o testemunho cotidiano.

A família aprende a escutar antes de responder

Há também um fruto importante para a convivência familiar.

Quando pais e filhos estudam juntos, aprendem que nem toda pergunta possui uma resposta imediata.

Essa atitude pode favorecer a paciência, o diálogo e a humildade.

Em vez de transformar cada dúvida em discussão, a família pode buscar compreensão em conjunto.

Desse modo, o encontro com a Palavra também educa para a escuta e o respeito.

10. Uma única Palavra que nos conduz a Cristo

Ao abrir a Bíblia, encontramos livros escritos em diferentes épocas, por autores humanos diversos e em variados gêneros literários.

Há narrativas históricas, poemas, ensinamentos de sabedoria, profecias, Evangelhos, cartas e escritos de caráter apocalíptico.

Essa diversidade não destrói a unidade das Escrituras.

Pelo contrário, manifesta a riqueza da revelação divina dentro da história humana.

O Antigo e Novo Testamento pertencem ao mesmo plano de salvação, embora cada um possua características e importância próprias.

O Antigo Testamento prepara a vinda de Cristo e conserva permanentemente seu valor como Palavra de Deus.

O Novo Testamento anuncia a plenitude da revelação em Jesus, sua obra redentora e a missão da Igreja.

Por isso, não precisamos escolher entre um e outro.

Precisamos aprender a escutá-los em sua unidade.

Quando a leitura parecer difícil, não abandone o texto nem procure respostas precipitadas.

Volte ao contexto, consulte uma boa formação católica e procure compreender como aquela passagem participa da história da salvação.

Acima de tudo, mantenha Jesus Cristo no centro.

Ele é a plenitude da revelação e a chave que permite reconhecer o sentido cristão das Escrituras.

A Bíblia possui muitos livros, mas anuncia uma única história de salvação. E essa história encontra sua plenitude em Jesus Cristo.

Uma oração para terminar a leitura

Senhor Jesus Cristo,

Tu és a plenitude da Palavra de Deus.

Abre nossa inteligência para compreender as Escrituras e nosso coração para acolher seus ensinamentos.

Ajuda-nos a reconhecer a fidelidade do Pai em toda a história da salvação.

Que a leitura da Bíblia fortaleça nossa fé, ilumine nossas escolhas e nos aproxime da vida da Igreja.

Ensina nossa família a escutar tua Palavra com humildade, perseverança e amor.

Amém.

A Palavra de Deus merece ser conhecida por inteiro.

Que tal escolher nesta semana uma passagem do Antigo Testamento e outra do Evangelho para ler com sua família?

Salve este artigo para consultar durante seus estudos e compartilhe com alguém que deseja compreender melhor a Bíblia.

Continue sua formação cristã no Família em Cristo.

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